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Archive for the ‘Aviação’ Category

FAB e a novela F-X.

Pois é, faz um longo período que não posto nada, muito menos sobre aviação!

Esperava que ao voltar, viesse até aqui para falar do novo caça da FAB, sobre alguma evolução do F-X2 ou até mesmo algum novo planejamento da FAB. O que não é o caso, muito pelo contrário… Fazem duas semanas o resultado do F-X2 foi adiado por mais 6 meses e já se fala em um novo cancelamento e nascimento do F-X 3!

Pouco antes, tive a oportunidade de ver 4 F-18 em Pirassununga-SP, na AFA, sendo 2 CF-18 da Força Aérea do Canadá e 2 F/A-18 Super Hornet da Marinha Americana. A vinda dessas aeronaves evidenciou o crescimento do Super Hornet na disputa, chegando na minha opinião ao empate com o Rafale Francês. A Boeing inclusive trouxe seu piloto de testes e demonstração na ocasião, mostrando a importância da concorrência para a empresa.

Tudo andava bem, até adiarem o F-X2 o que pode ser bom ou ruim, ainda cedo para dizer. Mas acredito que postergar essa decisão por mais 6 meses pode deixar a FAB a pé, literalmente!

Por que pode ser bom adiar tal decisão?

Fala-se em novo F-X3, provavelmente com os 2 favoritos atuais disputando o short list do possível F-X3, mas esses ganhariam um candidato com muito peso e que para mim deveria estar no F-X2, erro não incluí-lo… o PAK FA da Rússia.

Esse é o único ponto positivo, mas é um ponto de peso, pois os Russos não só transfeririam a tecnologia de um caça de 5° Geração (5°!!!) bem como participaríamos de todo o processo de desenvolvimento do caça, atualmente a Índia faz parte do programa do caça Russo que tem tudo para ser o caça a ser batido no futuro próximo. E poderíamos ter esse caça bem aqui no Brasil. Não duvido dessa hipótese pois a pouco tempo compramos equipamento russo, o Helicóptero de ataque Mil Mi35 Hind, o que mostra alguma aproximação com a industria bélica daquele país e que pode ter tirado um pouco do preconceito com equipamento russo, que se vê muito por aqui.

E por que pode ser ruim adiar ta decisão?

Adiar o F-X2 por mais seis meses aperta ainda mais o cronograma de entregas dos caças vencedores, lembrando que os primeiros F-5EM/FM, que são a espinha dorsal da FAB, começam a se retirar de serviço em 2015 e não ao contrario do que foi feito no cancelamento do F-X para F-X2, não podemos mais atualizar esses caças para cobrir essa lacuna, as células dos caças já atingiram seu limite de vida útil, não podemos mais atualizar os F-5 além do que já foi feito. São caças bons para manter na defesa do país, mas não tem capacidade de ataque de longas distancias e de sobreviver em cenário hostil, longe dos sistemas que o auxiliam dentro do território e que lhe dão alguma vantagem.

Então estaríamos a beira de um “apagão aéreo” na defesa do país, a FAB sem caças que poderiam exercer a superioridade aérea, estariam somente os A-1M em operação, visto que o Mirage 2000 também tem o serviço na FAB com seus dias contados e deve aposentar no máximo em 2014.

Tenho certeza que esse assunto não está sendo levado a sério pelas autoridades, não ocorre somente com a FAB… Marinha e Exercito estão com seus problemas também, mas com a Defesa do País não se pode brincar ou deixar para depois, ainda mais em um país que almeja um assento no conselho de segurança da ONU e que é tão rico em seus recursos naturais.

Resta-nos agora torcer pela decisão o quanto antes, e caso o F-X3 venha a se concretizar, só valeria a pena se o PAK FA fosse um dos aviões na disputa, se não seria apenas mais um tempo precioso perdido.

Abraço a todos!

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Obama no Brasil

Obama chegou hoje (19/03) no Brasil com a agenda lotada em diversos compromissos e assinaturas de acordos nos mais variados setores.

Segundo a staff dos dois governos, o projeto F-X será tratado como assunto de segundo plano… será?

Indícios de que o governo americano, alem de oferecem um vantajoso acordo off-set e compensações comerciais, também ofereceria brindes gordos para a Marinha Brasileira, em torno de 11 navios.

Isso tudo sem mencionar, que recentemente a Boeing demonstrou um caça F-18 Super Hornet voando com bicombustível e em cores verdes. O jato foi abastecido com uma mistura de 50/50 do combustível aeronáutico verde” derivada do óleo camelina e combustível de aviação à base de petróleo.

F/A-18 Green Hornet

“Green Hornet”

A nova política americana quer aproximar os dois países e tenho certeza de que eles não vão poupar esforços para fechar os acordos que eles consideram como essenciais, como o F-X.

Em breve, teremos novidades por aí!

FAB e os cortes orçamentários

Essa semana o assunto mais badalado no meio militar Brasileiro, foram os cortes nos orçamentos das forças armadas, em especial na FAB.

O programa F-X2 que já se arrasta há 10 anos, está na mira da Presidente e para piorar, os cortes podem atingir os atuais meios aéreos da FAB.

Especula-se que os 12 Mirage 2000 B/C do 1° GDA, que seriam aposentados em meados de 2015, possam ser retirados de serviço já em 2011 por falta de verbas, deixando a primeira linha de defesa aérea do país novamente desprotegida.

Se isso ocorrer, voltamos a depender somente dos F-5 modernizados para a defesa aérea do país, bem como as demais missões rotineiras.

Em números, dos atuais 58 caças (F-5M + Mirage 2000) cairiamos para 46 caças capazes de realizar esse tipo de missão, logo que o A-1 (AMX) é um avião de ataque estratégico. Os atuais 46 F-5M estão divididos em 4 esquadrões, Canoas (1), Santa Cruz (2) e Manaus (1).

Com o remanejamento de caças para o 1° GDA, esse número subiria para 5 esquadrões, sendo que estes já sofrem com os ciclos de manutenção que em média tem 8-10 caças parados em manutenção completa. Portanto, são em torno de 35 caças para 5 esquadrões, 7 caças por esquadrão, sendo que cada esquadrão tem que manter 2 caças de prontidão e tem cerca de 2 deles em manutenção menores. Com isso restariam apenas 3 caças para realizar as demais missões e manutenção operacional.

Até o F-X2 chegar em definitivo, esse seria o cenário da FAB, com baixa operacionalidade e baixo número de horas de vôo e treinamento de seus pilotos.

Cenário esse que não combina com um país que almeja o conselho de segurança da ONU e que não permite o país falar “não” quando for necessário.

Seja lá qual for o resultado do F-X2, que seja rápido, pois em 2014 e 2016 teremos pouca ou nenhuma defesa aérea nos principais eventos internacionais que esse país já sediou.